Municípios punem com fim da fila os “sommeliers” da vacina

Há quase dois anos enfrentando uma pandemia que já tirou a vida de mais de 250 mil pessoas e lidando com escândalos em torno da compra de imunizantes, o brasileiro ainda precisa conviver com uma figura no mínimo peculiar: o sommelier de vacina.

Sommeliers são aqueles que não se furtam em passar horas em uma fila de uma unidade básica de saúde ou drive-thru e, antes de receber a dose da vacina, decidem ir embora sem se vacinar, pois o imunizante que está sendo aplicado não é aquele que gostariam.

Parece inacreditável que, a esta altura da pandemia, com tantas vidas perdidas e outras por um fio que essa figura ainda exista. Mas ela não só está viva em nosso dia a dia como tem crescido cada vez mais, infelizmente.

E quem não conhece um sommelier de vacina? Quem nunca se deparou com um amigo ou conhecido que desistiu de se imunizar porque preferia esta ou aquela marca? Todos, certamente.

Esse tipo de comportamento, antes impensável, tem se tornado rotineiro. Mas, além de questionável, ele tem causado vários transtornos à estratégia de combate à propagação do coronavírus.

Imunização atrasada

Isso porque os sommeliers de vacina atrasam não apenas a sua própria imunização como a de milhares de pessoas. A cada público-alvo cuja meta não é batida afeta o esquema vacinal, reduzindo a cobertura da população e prejudicando assim a imunidade coletiva.

Além disso, os estados e municípios não podem avançar na imunização de seus cidadãos, porque existe uma boa parcela que escolheu não comparecer, levando inclusive ao desperdício dos imunizantes, já que as vacinas abertas e não utilizadas precisam ser descartadas. O que, em nossos dias é praticamente um crime.

Fim da fila

Por isso, para coibir essa atitude execrável, de escolher que tipo de vacina tomar, diversos municípios brasileiros têm aplicado sanções aos ditos sommeliers de vacina.

Pessoas que se recusem a receber a dose que estiver sendo oferecida nos postos no momento em que sua vez chegar poderão ser “gentilmente” convidadas a ir para o fim da fila. Literalmente.

Isso quer dizer que estas pessoas serão imunizadas apenas após toda a população adulta receber sua dose. Com a vacina que estiver disponível naquele momento. Sem qualquer chance de escolha.

Já outras localidades estão oferecendo a essas pessoas um lugar na “xepa”: a fila de sobras organizada pelos postos de saúde para não descartar o imunizante que não é aplicado.

Aqui a lógica é a mesma: o cidadão sommelier receberá a vacina que tiver, sem chance para escolher esta ou aquela marca. Ou seja, vantagem nenhuma. Apenas terá de esperar mais tempo, pondo-se em risco de forma desnecessária.

Sem contar que, na xepa, não há garantia de imunização. Recebem as doses apenas aqueles que tiverem a sorte de encontrar uma sobra de vacina. O que nem sempre acontece.

Vacina boa é vacina no braço. E todos os laboratórios certificados pela Anvisa tem sua qualidade certificada. Escolher o tipo de vacina que quer receber beneficia apenas um agente: o vírus, que pode continuar se espalhando enquanto as pessoas acreditarem em notícias falsas e alimentarem esse tipo de comportamento.

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